Introdução aos cenários

Cenários são histórias que descrevem o que poderia acontecer no futuro, e não o que acontecerá (previsões) ou o que deveria acontecer (recomendações).

Construir cenários é um exercício de suspender nossos desejos e nossas respostas, olhar para além de nossas previsões e projeções e nos abrir para pensar uma variedade de futuros possíveis.

Os cenários, por serem resultado de um processo coletivo de perspectivas diversas, oferecem a vantagem de apoiar os debates sem comprometimento com uma determinada posição. Os cenários nos permitem lidar com o fato de que, embora não possamos prever ou controlar o futuro, podemos trabalhá-lo.

Síntese dos cenários para o futuro da democracia na América Latina 2015–2030

Este é um cenário de redistribuição de poder, fortalecimento da democracia e inovação institucional.

Neste cenário, a América Latina experimenta uma demanda generalizada para a reformulação das instituições democráticas que permita superar progressivamente os problemas estruturais mais urgentes e conquistar uma maior inserção da região no mapa global. Cada país da região deve lidar com uma realidade na qual a adaptação às oportunidades e aos desafios da globalização em suas múltiplas vertentes impõe maior pressão para acordar reformas institucionais que tendam a melhorar a qualidade da democracia e a incrementar a satisfação dos cidadãos e o cumprimento de suas aspirações. Desse modo, em um número crescente de países, são geradas as condições para que sejam as próprias instituições que promovam transformações de longo alcance em áreas críticas nas quais antes predominavam os interesses particulares. Os resultados são díspares segundo cada país da região, mas deixam evidente a demanda generalizada por um novo modelo de democracia mais pragmático que supere os limites dos esquemas tradicionais. Nesse contexto, alguns países demonstram que é possível superar gradualmente certas inércias estruturais que até agora impediam a redução da desigualdade e a violência e assim conseguir que as organizações fundamentais do Estado representem de forma genuína os interesses de uma sociedade diversa. É o cenário do fortalecimento da democracia na região e da inovação institucional.

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Este é um cenário de uma aparente democracia, onde o poder está concentrado e é disputado entre diferentes forças políticas e econômicas, gerando frustração social.

Neste cenário, continuam predominando as lógicas inerciais de concentração ou de reconcentração do poder político e econômico, em uma região que continua marcada por uma cultura política caudilhista, clientelista e com vícios autoritários. Em alguns países e sub-regiões, registram-se avanços sem precedentes em matéria de direitos econômicos, sociais e culturais, mas sem alterar completamente o padrão de desenvolvimento concentrador nem as lógicas da corrupção e da violência, e ainda sob o patrocínio de esquemas de poder que apostam deliberadamente em subordinar as instituições democráticas. Alguns países atravessam crises políticas e se evidenciam em alguns casos retrocessos autoritários pontuais e alguns novos, com consequências graves para a construção institucional e o exercício dos direitos sociais. Em 15 anos se lamentam todas as oportunidades que a região continua desperdiçando para forjar genuínas democracias interculturais. A democracia na região perdurou, mas muito poucos estão satisfeitos com as formas como isso ocorreu. É o cenário da democracia em aparência, da tensão e das disputas de poder entre diversas forças políticas e econômicas e da frustração social.

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Este é um cenário de mobilização popular, pressão e criatividade desafiando as estruturas de poder tradicionais.

Neste cenário, a mobilização social consolida sua capacidade de interpelar sobre a democracia e começa paulatinamente a promover transformações de toda índole e de distintos alcances. Fatores como o avanço permanente da inovação científica, a expansão da era do conhecimento, o acesso mais amplo às novas tecnologias, a continuidade democrática na região, a capacidade de articulação da diversidade e a compreensão dos efeitos negativos das agendas globais e regionais, somados à aprendizagem gerada por conquistas alcançadas em estratégias de impacto que combinam tecnologia, uso do espaço público, incidência institucional, criatividade e presença em meios de comunicação inovadores impõem alguns limites aos abusos de poder público ou privado e geram uma prematura, porém concreta incidência em políticas públicas que garantem maior inclusão social. Dessa forma, a mobilização social deixa claro em múltiplos casos as limitações da democracia, da institucionalidade e dos alcances do estado nação. A comprovação de que as ações individuais e coletivas da sociedade, mais além da ação do Estado, geram mudanças sociais pontuais que, articuladas, podem se transformar em mudanças sistêmicas ou transformações de escala para solucionar problemas públicos específicos renova o modelo democrático tradicional ao combinar a lógica de representação política nas instituições com a lógica de legitimidade social na participação. Em particular, a organização de esquemas de cooperação horizontal com múltiplos atores conduz a um empoderamento social mais estendido e transparente. Ao longo de 15 anos são gerados benefícios concretos a partir das novas formas de participação que transcendem a órbita das instituições e as convocatórias organizadas pelos espaços tradicionais e, ao mesmo tempo, visibilizam-se os riscos de cooptação pelos poderes fáticos e reais e que a mesma tecnologia acabe limitando seu impacto. É o cenário da mobilização, da pressão e da criatividade popular frente ao poder tradicional.

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Este é o cenário de uma democracia sequestrada, dominada pelo crime organizado e gerando medo e um senso de derrota entre os cidadãos.

Neste cenário, a democracia se vê apropriada em boa parte da América Latina pela influência depredadora do comércio ilícito que prevalece sobre a ação do governo ou convive com ela. Os cidadãos oscilam entre o cinismo e em alguns casos a desesperança, em que o território é governado de fato pelo crime organizado que impõe força e mostra certa força de prosperidade temporal, e em outros casos o terror, em que o território se encontra em disputa. O sistema de tomada de decisões políticas se torna funcional a uma série de interesses opacos que disfarçam suas verdadeiras intenções detrás de imaginários e demandas cidadãs legítimas. A corrupção se consolida como o modus vivendi de políticos, empresários e criminosos de forma igual, que vivem e prosperam à sombra do Estado. As atividades ilícitas reconfiguram não só o monopólio do poder estatal como também a atividade empresarial legítima e as pautas de convivência em cidades e bairros. Três lustros de violência consolidam territórios fora do controle dos Estados nacionais e, ainda mais grave, alguns Estados falidos que a comunidade regional e internacional apenas trata de conter. O destino comum das democracias da região está em suspenso. É o cenário da violência, do medo, da sensação de derrota e do sequestro da democracia.

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Conheça cada cenário por completo

Um percurso de possibilidades futuras, um conjunto de caminhos para os próximos 15 anos que tem como estação de chegada a América Latina de 2030.

Clique nos links abaixo para ler o texto integral de cada cenário.

Democracia em

TRANS–
FORMAÇÃO

Democracia em

TENSÃO

Democracia em

MOBILI–
ZAÇÃO

Democracia em

AGONIA

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